Robson Oliveira

PORTO VELHO – As cenas de bolsonaristas da capital com um carro de som estridente e militantes histéricos à beira da agressão na frente da casa do deputado federal Mauro Nazif (PSB), exigindo que ele vote a favor do projeto legislativo que adota o voto impresso, são dignas de covardes. Nazif é idoso e ainda se recupera de uma operação delicada no coração. As cenas veiculadas nas redes sociais são repugnantes e protagonizadas por tresloucados. Há outras formas civilizadas de protestos, inclusive pelas redes sociais. Ainda perturbaram a vizinhança que nada tem a ver com a histeria.   

 

HIDROFOBISMO   

Apesar da agressividade dos “bolsominions”, Mauro Nazif manteve-se sereno e respeitoso durante todo o protesto. Poderia ter ignorado os berros e gritaria dos manifestantes, mas educadamente abriu o portão da sua residência e atendeu pacificamente os manifestantes acometidos pela hidrofobia.

MEDO 

Exceto coronel Chrisóstomo, que é bolsonarista de carteirinha e eleito naquele vácuo da “Lava Jato” que exigia uma suposta assepsia na política, os demais membros da bancada federal de Rondônia na Câmara Federal que estão anunciando apoio ao voto impresso o fazem por mera conveniência para evitar desgaste com o eleitorado mais extremado da direita. Não vota por convicção, é medo mesmo. Quem vota amedrontado não merecia representar o cacaeiro, o pioneiro e o caboclo que desbravou estas terras inicialmente inóspita. O parlamentar tem que ser corajoso para expressar as convicções e não as conveniências.

RAIVOSO

Parte da população (ainda bem que é a minoria) brasileira decidiu incorporar o discurso raivoso do presidente Bolsonaro contra as urnas eletrônicas mesmo sem nenhum indício mínimo de que alguém tenha sido lesado em seus votos em razão dela. Aqueles poucos que fizeram coro com a suposta fraude, sem exceção, não obtiveram votos para ser eleitos, seja por não corresponderem em seus mandatos, seja por não convencerem os eleitores em suas perorações. São figuras carimbadas que nos bastidores da política todos conhecem e sabem das suas contradições.

CARAMINHOLA 

É patético o parlamentar que foi eleito por este sistema eletrônico votar a favor do retrocesso do voto impresso apenas para agradar quem o nega com motivação supostamente golpista. Mesmo aqueles que justificam o voto favorável em razão da pressão reconhecem que a questão é uma caraminhola inventada por um presidente que se retroalimenta da beligerância para manter acesa a chama entre os extremistas ao invés de governar pacificando seus governados.

EXAGERO 

Embora não seja normal desfiles de blindados das três forças nacionais pelas ruas da capital federal fora de data comemorativa, interpretar como uma motivação de ameaça de golpe é no mínimo um exagero. Não há um sentimento disseminado na gênese de nossas forças em descumprir a Constituição. Há, no entanto, reminiscente do tempo de chumbo que conspira para um retrocesso institucional, mas não é algo majoritário. É exagerado sugerir que há um golpe em andamento, apesar de que manter aceso o alerta seja necessário para manter hígida nossa carta maior.

BAZÓFIAS 

As bazófias do presidente em desrespeitar as regras constitucionais que dão sustentação à democracia são mais graves do que o desfile perdulário dos nossos tecnologicamente obsoletos blindados. Isto não significa que as ilações de ameaças em razão do uso indevido das nossas forças com a política não sejam grave. É grave e devemos repudiar. Já as bazófias do chefe da nação temos que ironizar e não potencializar.

GAMBIARRA 

Durante meses a Câmara Federal debatia reforma na legislação eleitoral para as eleições de 2022, visando simplificar as eleições, acabar com multiplicação dos partidos cartoriais e privilegiar a vontade popular. Neste contexto, a adoção do sistema eleitoral pelo “distritão (onde é eleito o mais votado) passou a ser o mais festejado pela maioria dos deputados federais e contestado pelos analistas e dirigentes partidários. A tendência era de que o “distritão” atropelaria os críticos e seria amplamente aprovado no plenário da Câmara Federal. Eis que agora surge inesperadamente como alternativa a reedição das coligações, sistema este fulminado de nossa legislação eleitoral em 2017 em razão das deformações políticas amplamente conhecidas. A coligação surge como uma gambiarra jurídica para garantir aos donos dos partidos os privilégios e os vícios que a adoção oferece aos detentores do poder. Já dizia um pensador: “Nosso Congresso é uma gambiarra. Salva apenas a arquitetura”. A vontade popular é uma invenção filosófica. Infelizmente!

PENSAMENTO 

No Congresso Nacional, pior que as emendas só mesmo o contexto.

VACINAÇÃO 

Mesmo a prefeitura da capital promovendo todos os esforços para melhorar os índices de vacinação contra a covid, parte da população não tem atendido ao apelo como se a vida já tivesse voltado ao normal. Um exemplo é que mais de três pessoas vacinadas com a primeira dose não voltaram para se vacinar com a segunda e garantir a imunidade. Especialmente no momento em que uma nova variante mais letal avança contaminando com mais agressividade.

VACINAÇÃO II 

É preciso que as pessoas, particularmente os jovens, sejam vacinados para que possamos sonhar em voltar com a nova normalidade. Não adianta depois culpar nossos governantes caso a rede estadual volte a entrar em colapso, visto que hoje temos vacinas disponíveis nos pontos amplamente divulgados. Está faltando espírito público e responsabilidade de nossa população. Vacinem-se. Não existe outra salvação.

ENTUSIASTA 

Em conversa informal com este cabeça chata o presidente do MDB, deputado federal Lúcio Mosquini, revelou que o partido é entusiasta de uma eventual candidatura do prefeito da capital ao Governo de Rondônia na hipótese de o senador Confúcio Moura decidir ficar fora do pleito estadual. Mosquini teceu loas à gestão do prefeito na capital e destacou a capacidade em dialogar com os diferentes atores políticos.

LENIÊNCIA 

No mesmo momento em que a comunidade internacional e os órgãos de controle ambientais voltam a acusar o Brasil em não conter o avanço das queimadas em nossas florestas, especialmente na Amazônia, os céus de Rondônia deixam claro que nossos governantes não cuidam das nossas riquezas florestais. Cedo ou tarde nossos produtos de exportação vão sofrer represálias dos mercados consumidores internacionais por não levar a questão ambiental a sério. Não é segredo para ninguém que parte considerável do nosso setor madeireiro e agrícola são predadores, sem que os órgãos responsáveis pela fiscalização façam sua parte. O governo estadual nunca escondeu uma certa leniência com o setor.

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