BANGALÔ BAR – 2 – Memórias de quem viveu e participou da história e noitadas do bar do Macalé

Lúcio Albuquerque

PORTO VELHO – Muita gente tem o que contar e gosta de contar. Para um grupo que viveu as quase duas décadas de existência do Bangalô Bar, foi hora de recordar, e muitos mandaram mensagem, falando das estadas naquele local ainda nos tempos em que se podia fumar (ARGHHH) em restaurantes.

As histórias e estórias são muitas, algumas impublicáveis, mas todas podem ser confirmadas por quem as viveu, como a do sanduíche ripo “baixaria” num pão de 30 centímetros, ou as vezes em que um dos lados do casal ia buscar o outro, naquelas madrugadas em que ainda se podia sair de casa à noite, ou botar cadeiras nas calçadas para “jogar conversa fora”.

De uma coisa todos lembram, que o Macalé “era um mestre na arte de bem receber”, e que o próprio ambiente facilitava a fidelização da clientela.

ALGUNS CAUSOS

QUE HORA ABRE?

Quem conhece a história (e a estória) do Bangalô Bar sabe do causo: Pouco mais de seis da manhã, depois de uma noitada desgastante, o Macalé chega em casa e mal deita toca o telefone.

Do outro lado uma voz conhecida, meio pastosa:

– Macalé, que hora abre o Bangalô (Era um dos mais/mais do boteco, o advogado Juvenal Sena)

Irritado, o Macalé responde:

– Porra, Juvenal, acabei de fecha e estou tentando dormir.

Sem se importar com o que ouviu, Juvenal respondeu:

(Aqui duas versões)

1 – “É que eu fui ao banheiro e agora estou trancado querendo sair”.

2 – “Eu quero saber onde tem o gelo para tomar mais uma”.

Deixo a quem ler escolher a verdadeira, apesar dessa do gelo, para quem conhecia o Juvenal nem dá muito para acreditar, porque ele sabia de detalhes de dentro do Bangalô.

JORNAL GUAPORÉ, BOM DIA!

O jornalista Paulo Queiroz morava praticamente em frente ao O Guaporé, jornal em que trabalhava. Quando chegava na madrugada nem ia para casa. Entrava na sala do diretor Emanuel Pontes Pinto, sentava na cadeira e dormia. Só acordava quando o telefone tocava e ele respondia: “Jornal o Guaporé, bom dia!”

(Daqui para a frente, história contada pelo senador Claudionor Roriz)

“Nós estávamos no Bangalô e o Paulo pegou uma carona. Fomos direto para Ji-Paraná. Ele foi dormir na casa de um dos do grupo. Pela manhã liguei para aquela casa e o Paulo atendeu”.

“Jornal O Guaporé, bom dia!”

“Eu respondi: que Jornal Guaporé que nada, tu estás é em Ji-Paraná”.

Obs: quem conheceu o Paulo não tem muita dúvida de que isso tenha sido verdade.

SANDUÍCHE “SOBRA DE TUDO”

O médico Samuel Castiel, que disse ter sido frequentador assíduo do Bangalô à época da sede da Pinheiro Machado, lembrou do sanduíche de fim de noite, que muitos voltavam já na madrugada para degustar.

Tratava-se de um pão de uns 30 centímetros onde colocavam de tudo um pouco – será que não seria sobra de pratos? – como alface, tomate, queijo, carne, frango, ovo, presunto, bacon e o que tivesse disponível.

Sanduíche de metro, conforme o médico Samuel Castiel, já era bem conhecido dos frequentadores do Bangalô

Mais ou menos como hoje se consome um similar com outro nome, como o “X Tudo”, mas que na banca “Tapioca e Família”, na Feira do Um, tem outro nome: “Baixaria”, e no Federal Burger é conhecido como “Federal top premium”.

“Era um sobra de tudo”, recorda o médico Samuel Castiel, acrescentando que o gosto ficava bem diferente, mas que isso não espantava os consumidores, depois de uísque e cerveja. Mas que nunca sobrava para o dia seguinte.

OUTRAS HISTÓRIAS

AMIR LANDO

Dois frequentadores lembraram que no “Macalé” acontecia de tudo, inclusive o então deputado estadual Amir Lando declamando várias vezes a mesma poesia e, depois, querendo atenção porque ia dedilhar um violão.

SALA VIP

Contaram que o Macalé mantinha no Bangalô uma sala vip, onde só alguns clientes especiais entravam, normalmente políticos, empresários e algumas autoridades. “Ali se conversou e se chegou a muitas decisões importantes”, como recorda o ex-deputado Luiz Gonzaga, frequentador habitual.

E OS CASAIS?

Todos com os quais eu conversei sobre o Bangalô, lembraram praticamente a mesma coisa: era comum em plena noitada parar um carro na porta, o motorista ou o próprio passageiro, às vezes “ela” descer e buscar o parceiro. “Tinha vez que dava discussão”, lembrou um conhecido advogado que também ia ao Bangalô.

Legenda foto:

1 – Senador Claudionor Roriz, frequentador assíduo do Bangalô e, segundo alguns, teria até mesa cativa no boteco

2 – Sanduíche de metro, conforme o médico Samuel Castiel já era bem conhecido dos frequentadores  do Macalé

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